Trabalhar hoje para colher frutos amanhã

“Nunca percebi o raciocínio das pessoas que querem crescer profissionalmente, mas, que se limitam a fazer apenas o "seu trabalho". Não trabalhemos apenas para a empresa. Trabalhemos como se fossemos nós a própria empresa, o nosso crescimento pessoal, MAS, sem se esquecer que toda ambição tem um limite.”

Sou uma emigrante a trabalhar em terras lusas há 7 meses. Um mercado novo, mas onde os desafios continuam os mesmos. 

Quando comecei a fazer parte do quadro de colaboradores da Associação onde hoje laboro, as minhas expectativas eram baixas, talvez por questões raciais.

Contudo, muito motivada!

Um dia, com apenas dois meses de casa, fui chamada para uma reunião com a direção. Passei o dia a fazer uma retrospetiva dos 60 dias passados ali. O que poderia ter corrido mal? Quando foi que cometi um erro?

Na minha cabeça, ser chamada para uma reunião pouco tempo depois de começar a trabalhar não devia ser um bom sinal. O encontro demorou apenas 20mn. O suficiente para anunciar a minha promoção. 

Sim, fui promovida a subchefe de equipa, no meio de tantos profissionais qualificados e com anos de “casa”. No momento, um turbilhão de sentimentos invadiu a minha alma. Um misto de gratidão, felicidade, orgulho e principalmente medo. Medo de não estar à altura, medo de assumir esta responsabilidade e medo de decepcionar os que estavam a confiar em mim. 

Aceitei sem pestanejar! Tudo isto uma semana antes do meu chefe sair de férias. 

Era a altura ideal para pôr em prática os ensinamentos de um livro oferecido pela minha ex-chefe, “O monge e o executivo”, que fala sobre liderança. 

Entretanto, nenhum livro nos ensina como lidar com diferentes personalidades, lidar com incumprimento de regras, de lidar com pessoas que se limitam a cumprir a carga horária. 

Pessoas que acham que ser subchefe é, dentre múltiplas responsabilidades, também fazer o trabalho delas. Mas aprendo todos os dias que liderar é dar o exemplo, e isto vai para além de exercer as minhas funções. 

Contabilidade, designer, decoração, receção…o objetivo é chegar à meta. 

Nunca percebi o raciocínio das pessoas que querem crescer profissionalmente, mas, que se limitam a fazer apenas o “seu trabalho”. 

Não trabalhemos apenas para a empresa. Trabalhemos como se fossemos nós a própria empresa, o nosso crescimento pessoal, MAS, sem se esquecer que toda ambição tem um limite.

Ninguém consegue carregar uma empresa às costas sozinho. Companhias costumam perder excelentes colaboradores porque ao invés de gerir os funcionários medianos, que por vezes são a maioria, acabam por sobrecarregar o que entrega resultados. 

Não sou insubstituível, mas com toda certeza sou uma perda, e isto não é egocentrismo ou ser prepotente. É conhecer o meu valor e a minha entrega. 

É importante lembrar que pessoas competentes podem estar fora do mundo laboral por falta de oportunidade, mas caso já estejam, dificilmente perdem o emprego.

Estou longe de chegar á MINHA meta, mas sou imensamente feliz no meu emprego.

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Denise Fernandes Teixeira

Denise Fernandes Teixeira

É esposa e mãe licenciada em Marketing Turístico que começou a sua carreira profissional como jornalista. Foi assessora de comunicação e marketing numa instituição pública, mas a sua verdadeira paixão é a investigação criminal. Hoje é uma emigrante que se prepara para mudar totalmente de área - a advocacia.

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