
Talvez o equilíbrio não passe por fazer tudo
Há coisas que as mães não costumam dizer em voz alta.

Há coisas que as mães não costumam dizer em voz alta.
A frase que dá título a esta crónica é usada sempre que, a nosso ver, algo aconteceu posteriormente ao momento que considerámos que deveria ter acontecido. Quantas vezes demos por nós a proferir esta frase? Atrevo-me a responder que incontáveis vezes.

Antes de se tornar estatística nas projecções demográficas ou pauta de políticas públicas, a maternidade afirma-se como experiência íntima, atravessada por desejos, incertezas e decisões que moldam o percurso de cada mulher.

É comum e compreensível que queiramos abafar toda e qualquer emoção que nos faça sentir alguma apreensão ainda que não saibamos bem porquê. Toda e qualquer apreensão nos coloca num lugar de desconforto, tirando-nos do equilíbrio que nos permite viver tranquilamente.

Há bocado fui lavar os meus óculos à casa de banho e ao olhar a minha cara tão de perto no espelho (se não estiver mesmo perto do espelho vejo muito mal – cortesia da miopia e astigmatismo), veio-me logo à cabeça o seguinte pensamento: o que pensamos quando vemos o nosso reflexo no espelho.

Era de se esperar que quando nos afastamos daquilo que nos magoa conseguíssemos avançar sem sentir qualquer falta ou saudade, no entanto, não é bem assim.

Para a primeira crónica do ano de 2026 vou pedir emprestada uma frase que li no livro “Como deixar de se preocupar e começar a viver” de Dale Carnegie no ano passado. A frase é a seguinte: “A melhor forma de nos prepararmos para o futuro é fazer bem o que temos de fazer agora”.

Chegada ao derradeiro mês do ano, que nos impele a uma análise, em jeito de balanço, daquilo que foi o nosso ano, dei comigo a pensar se o tema da crónica que encerrará o ano será sobre isso. No entanto, por mais que pensasse na abordagem a esse tema não conseguia desenvolver um raciocínio coeso.

Há pouco mais de duas semanas uma das pessoas que mais amo perdeu o seu pai e está a sofrer. A ligação emocional que tinham era das mais lindas que presenciei até hoje e como tal não tenho como ignorar que o sofrimento é grande e avassalador.

Há dias ouvi algo que para mim fez muito sentido e que explicava a vontade que sinto em partilhar as coisas que vou aprendendo e as dúvidas que me vão assaltando. A pessoa dizia que quando aprendemos algo, quando atingimos a consciência de algo isso deixa de nos pertencer e que é algo que exige ser partilhado. Acredito nisso, que aquilo que conquistamos deixa de ser só nosso, deixa de nos servir, no entanto pode ser que sirva aos outros daí que é imperativo que a coloquemos disponível ao outro. É tão bom colocar no mundo uma parte de nós.

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