Preparada para o futuro

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Preparada para o futuro

Para a primeira crónica do ano de 2026 vou pedir emprestada uma frase que li no livro “Como deixar de se preocupar e começar a viver” de Dale Carnegie no ano passado. A frase é a seguinte: “A melhor forma de nos prepararmos para o futuro é fazer bem o que temos de fazer agora”.
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Essa frase me recorda uma outra, que ouvimos constantemente: “o futuro começa agora”. Já vos tinha dito que adoro frases, gosto de as dissecar de forma a alcançar o seu verdadeiro sentido, o que me dá uma grande satisfação, mas não vou divagar, voltemos ao tema da crónica.

Com efeito o futuro começa agora, começa nas milhentas pequenas coisas que vamos fazendo a cada dia e que no seu acumular acabam por determinar ou condicionar o resultado que pretendemos. E é ao ignorarmos isso que podemos nos tornar no nosso pior inimigo no projeto a que nos propomos.

Estamos no início de um novo ano e como é da praxe é o momento em que resoluções são delineadas. Vezes demais elas não passam disso, nunca chegando a ser verdadeiro plano que permita que o objetivo possa ser alcançado. Há que existir uma consciência e interiorização de que não basta somente a intenção da resolução e de que o foco não são as grandes mudanças e decisões necessárias que determinam o sucesso ou não das tais resoluções. 

É certo que as grandes mudanças e decisões são importantes e necessárias, permitem-nos visualizar o ponto de chegada, contudo, não podemos ignorar que na base delas encontram-se as incontáveis pequenas decisões que vamos tomando a cada instante, muitas vezes sem qualquer consciência de que são uma decisão. O segredo de qualquer verdadeiro plano é sermos capazes de dar a devida atenção a essas pequenas decisões e dirigir a elas o nosso esforço.

Qualquer processo transformativo com vista à evolução, conscientemente pretendido, exige um planeamento para que existam sérias chances de sucesso. Ao colocarmos atenção a essas pequenas decisões, àquilo que tem de ser feito, temos de fazer um novo compromisso – o de o fazer da melhor forma possível.

Não basta fazer por fazer. Não podemos aspirar ao extraordinário fazendo o ordinário ou o mínimo. Atingir ou não o objetivo depende em grande medida (a meu ver é o factor mais determinante) também da forma como fazemos o necessário.

É certo que mesmo fazendo aquilo a que nos propomos da melhor forma possível para atingir o objetivo fixado, este não é garantido visto que existem inúmeras variáveis que não conseguimos controlar e que em muitos casos são mais preponderantes para determinar o sucesso ou não do nosso projeto. Contudo, como já defendi noutro texto, a nós nos cabe focar naquilo que está ao nosso alcance, focar naquilo que posso e fazê-lo da melhor forma que sei e posso. 

Defendo que existe uma responsabilidade social de cada um de nós em tudo aquilo que fazemos, que nos interpela a não ficarmos nos mesmo lugar (físico e intelectual). O que exige de cada um de nós um comprometimento em nos tornarmos melhor para que haja um efetivo contributo nosso para o bem estar de todos. Não existimos isolados de tudo aquilo que nos rodeia.

Ao definirmos como nossa regra pessoal fazermos tudo o que nos propomos da melhor forma que sabemos e podemos conseguir alcançar algo que não nos pode ser tirado – a satisfação de saber que cumprimos o nosso papel.

Jordan Peterson, no seu livro Nós os que lutamos com Deus, defende que “todo o homem que guarda para si o seu melhor, e esconde a sua luz e o seu talento, deixa um buraco no mundo que a oferta do seu melhor poderia ter preenchido – uma falha que é culpa sua”. Ou seja, existe uma exigência de melhorarmos a nós mesmos e para além disso uma exigência de partilharmos esse melhor com todos, com o mundo. Ao nos furtarmos a isso impedimos que o mundo alcance aquilo que devia alcançar, o que se revela um desperdício de potencial.

O atingir o objetivo em si pode, em muitos casos, acaba por se tornar algo secundário, pois somos confrontados com a descoberta do nosso potencial, da nossa força interior e isso acaba por suplantar qualquer objetivo concreto que tínhamos em mente no início.

As resoluções do ano novo devem ser encaradas como desafio para nos superarmos, é a chance para mostrarmos a nós mesmos do que somos feitos. É reconhecer e mostrar que somos capazes de viver em integridade, havendo total coincidência entre aquilo que dizemos, aquilo que fazemos e com os nossos valores e princípios.

Olhar para o futuro sem que a atenção seja colocada no presente, em fazer bem aquilo que nos compete a cada momento é dar um tiro no pé, é trabalhar contra nós mesmos.

Termino a crónica formulando os meus votos para 2026: que cada um consiga encontrar dentro de si o botão que precisa carregar para que se decida a agir com intuito de se tornar melhor, melhor do que aquilo que tem sido até então. Torne-se melhor e o resto acontece.

 

Praia. 8 de janeiro de 2026.

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Adénis Carvalho Silva

Adénis Carvalho Silva

"Filha, mãe, esposa, advogada. Amiga dos seus amigos. Leal, honesta e direta. Uma apaixonada por música, livros e pela escrita. Amante de uma boa conversa e de aprender coisas novas. Em permanente busca de novos desafios."

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