Filmes da semana by Djam Neguin (VI)

Algumas sugestões de filmes para o fim-de-semana. Uma opinião de Djam Neguin.

Decision to leave, Park Chan Wook (2022)

Com 7 meses de atraso, finalmente marquei encontro com “Decisions to Leave” do nem mais nem menos Park Chan Wook, que arrebatou o prémio de melhor diretor no festival de Cannes de 2022, com este thriller noir que foi exaltadíssimo e já vai direto com boas cotações para as indicações aos Óscares. Qualquer filme de Wook é sempre uma aula magna de cinema, pela sua perícia de composição, de enquadramentos e contra planos, pelo seu expresso apetite de experimentar e de nos deslocar constantemente das nossas zonas de conforto. Se o seu invólucro estético é força, aqui também se fragiliza já que em muitos momentos a narrativa perde a sua fluidez para dar lugar ao formalismo.

 

Bilhete para o Paraíso, Ol PARKER (2022)

Quem assiste Bilhete para o Paraíso pode tudo, menos reclamar. Ninguém nos mandou ir espreitar o que George Clooney e Julia Roberts podem dar. Não é muito, diga-se de passagem. Entregam-nos uma química genuína, que rendem bons momentos pipoqueiros aqui e ali, mas cortando isso, é que nem ver uma propaganda turística em forma de filme, sem sal nem açúcar que quando acaba, que a gente jura que nunca mais!

Okdja, Bong Joon-ho (2017)

Okdja é um filme na medida justa para uma sessão filme-família das seis da tarde. Light e entertenido, com deleites bucólicos aqui, com uma sátira caricatural ali (sobretudo na personagem cartonesca de Jake Gylhenhal, capazes de criar o apelo emocional necessário sem que esqueçamos e reflitamos sobre uma das problemáticas centrais do nosso tempo – o corporativismo capitalista hipócrita e dissimulado que não mede meios para os seus fins e leva a limite a exploração ecológica e o consumo de carne, que passa cada vez mais por experiências transgénicas e abate de animais sem os mínimos códigos de ética.

 

SINÓNIMOS, Nadav Lapid( 2019)

Prato cheio para quem adora a incovencionalidade cinematográfica e filmes que brincam de ser filmes. É pegar ou largar – somos como o corpo nu de Yoav num prédio sem mobílias de Paris e vamos ser mobilados com o decorrer, à medida que tentamos entender o que é que um israelita em completa negação da sua identidade procura nas ruas de Paris. O dicionário que ele usa para aprender palavras novas e usadas despropositadamente tem o mesmo efeito em nós que precisamos de enriquecer-nos sempre com outras expressões de visualidade.

A Montanha Sagrada, Alejandro Jodorowsky (1979)

Clássico incontornável do cinema, é daqueles marcos obrigatórios que quanto mais vemos mais temos para ver, e nunca passam de prazo. De um surrealismo soberbo, uma poética disruptiva e uma força imagética insanamente alegórica, que se torna referência incopiosa para toda uma posteridade.

A Crônica Francesa, Wes Anderson (2021)

A razão para ver – Wes Anderson! Não podia ser diferente e insuspeito para mim que sou um confessado e incondicional fan desde quando vi O Grande Hotel Budapeste. Enao vai ser difícil não encher A Crónica Francesa dos mais deliciosos complementos. Eu sinceramente estou-me nas tintas para qualquer coisa não aparada que exista neste filme, a experiência estética que qualquer coisa que o Wes Anderson proporciona é suficientemente recompensadora. Para quem ainda não papou a filmografia dele, este é um farto prato de entrada!

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Djam Neguin

Djam Neguin

Art-(v)-ista cabo-verdiano e produtor cultural multidisciplinar. Dissidente. Criador de Futuros.

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