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Mas com a falta de energia veio também a falta de comunicação! Não conseguir falar com os familiares e nem saber o que se passava no resto do mundo deixou todos os residentes de Portugal aflitos.
Depois de restabelecida a normalidade, vi um texto de uma influenciadora portuguesa que falou sobre as maravilhas de estar sem energia, de poder desacelerar e fazer uma desintoxicação das redes sociais.
Realmente, desde que estou em Portugal, nunca vi tanta gente na rua a conversar uns com os outros. Jovens e menos jovens a conviver, sentados na rua, crianças a brincar tranquilamente, sem estarem sempre com a cara dentro dos telemóveis.
Voltando à nossa influencer, depois de ser duramente criticada, ela voltou a escrever outro texto para se retratar. As críticas não deveriam ser tão duras, porque cada um tem a sua realidade. Para ela, foi um momento agradável de reconexão.
No meu caso, a partir do momento em que o meu filho estava comigo, relaxei e esperei tranquilamente pelo regresso à normalidade, já pensando em como seria à noite, no escuro, com uma criança que não percebe muito bem o que se passa, até à hora de ir dormir.
Fiquei a pensar na aflição das pessoas que não tinham como contactar os filhos, os pais, os maridos ou mulheres. Soube de histórias de pessoas que andaram horas a pé até chegarem a casa, pessoas que se desencontraram pelo caminho, entre outros relatos.
Bem como na situação dos hospitais, com as pessoas ligadas às máquinas, e nas pessoas presas nos aeroportos, com crianças, idosos, etc. O pânico das pessoas presas nos transportes públicos. Sem falar dos medicamentos que precisam estar em ambiente frio ou dos pequenos e médios comerciantes que precisavam conservar os seus congelados.
Na minha opinião, não estamos preparados para este tipo de acontecimentos. Não digo Portugal, mas todos os países e as pessoas que lá habitam. Apesar de antigamente vivermos sem, atualmente é impossível pensar num mundo sem energia e comunicação. O ser humano está tão dependente da comunicação e dos meios de comunicação que, quando fica sem, fica completamente desorientado.
A geração alfa não conhecia a vida sem internet ou comunicações até aquela fatídica segunda-feira. Confesso que gostaria de saber o que é que passou pela cabeça deles.
Ao conversar com um rapaz, ele disse que “voltámos aos tempos primitivos”; outros jovens ficaram sem saber o que fazer durante aquelas horas.
Outra coisa que me deixou a pensar foi a corrida aos supermercados. Afinal, não aprendemos nada com a COVID-19. Em menos de três horas, tínhamos os estabelecimentos com fila e sem produtos nas prateleiras, sendo que foram registados até conflitos em algumas localidades. Não deveríamos ser mais empáticos e serenos e deixar os produtos para quem realmente precisava?
No final, este episódio só nos faz pensar como o ser humano é dependente e tem memória curta, sendo que muitas vezes não aprendemos com os erros e acontecimentos de um passado tão recente.
Profissional com competências em Comunicação, Marketing, Publicidade e Jornalismo. Mas a minha função principal é ser mãe … mãe de uma criança autista. Apaixonada por uma boa conversa e por aprender coisas novas.







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