2025 sem energia e comunicação

No final de abril, os residentes em Portugal foram impactados com cerca de 12 horas sem energia e, como digo, isso não nos assusta, porque em várias épocas da vida já passámos por isso (pelo menos os mais velhos).

Mas com a falta de energia veio também a falta de comunicação! Não conseguir falar com os familiares e nem saber o que se passava no resto do mundo deixou todos os residentes de Portugal aflitos.

Depois de restabelecida a normalidade, vi um texto de uma influenciadora portuguesa que falou sobre as maravilhas de estar sem energia, de poder desacelerar e fazer uma desintoxicação das redes sociais.
Realmente, desde que estou em Portugal, nunca vi tanta gente na rua a conversar uns com os outros. Jovens e menos jovens a conviver, sentados na rua, crianças a brincar tranquilamente, sem estarem sempre com a cara dentro dos telemóveis.

Voltando à nossa influencer, depois de ser duramente criticada, ela voltou a escrever outro texto para se retratar. As críticas não deveriam ser tão duras, porque cada um tem a sua realidade. Para ela, foi um momento agradável de reconexão.

No meu caso, a partir do momento em que o meu filho estava comigo, relaxei e esperei tranquilamente pelo regresso à normalidade, já pensando em como seria à noite, no escuro, com uma criança que não percebe muito bem o que se passa, até à hora de ir dormir.

Fiquei a pensar na aflição das pessoas que não tinham como contactar os filhos, os pais, os maridos ou mulheres. Soube de histórias de pessoas que andaram horas a pé até chegarem a casa, pessoas que se desencontraram pelo caminho, entre outros relatos.

Bem como na situação dos hospitais, com as pessoas ligadas às máquinas, e nas pessoas presas nos aeroportos, com crianças, idosos, etc. O pânico das pessoas presas nos transportes públicos. Sem falar dos medicamentos que precisam estar em ambiente frio ou dos pequenos e médios comerciantes que precisavam conservar os seus congelados.

Na minha opinião, não estamos preparados para este tipo de acontecimentos. Não digo Portugal, mas todos os países e as pessoas que lá habitam. Apesar de antigamente vivermos sem, atualmente é impossível pensar num mundo sem energia e comunicação. O ser humano está tão dependente da comunicação e dos meios de comunicação que, quando fica sem, fica completamente desorientado.

A geração alfa não conhecia a vida sem internet ou comunicações até aquela fatídica segunda-feira. Confesso que gostaria de saber o que é que passou pela cabeça deles.
Ao conversar com um rapaz, ele disse que “voltámos aos tempos primitivos”; outros jovens ficaram sem saber o que fazer durante aquelas horas.

Outra coisa que me deixou a pensar foi a corrida aos supermercados. Afinal, não aprendemos nada com a COVID-19. Em menos de três horas, tínhamos os estabelecimentos com fila e sem produtos nas prateleiras, sendo que foram registados até conflitos em algumas localidades. Não deveríamos ser mais empáticos e serenos e deixar os produtos para quem realmente precisava?

No final, este episódio só nos faz pensar como o ser humano é dependente e tem memória curta, sendo que muitas vezes não aprendemos com os erros e acontecimentos de um passado tão recente.

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Iranita Andrade

Iranita Andrade

Profissional com competências em Comunicação, Marketing, Publicidade e Jornalismo. Mas a minha função principal é ser mãe … mãe de uma criança autista. Apaixonada por uma boa conversa e por aprender coisas novas.

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