É de pequenino que se torce o pepino: crianças e a eficiência energética

No próximo dia 1 de junho celebra-se o Dia Internacional das Crianças, uma data dedicada à proteção, aos direitos e ao bem-estar dos mais novos. Mas, mais do que balões e canções infantis, esta data deve convidar-nos a pensar que mundo estamos a construir para eles — e, sobretudo, com eles.

Num tempo em que o planeta enfrenta crises ambientais sem precedentes, educar as crianças para a sustentabilidade deixou de ser uma opção: é uma urgência. E é nesse contexto que a eficiência energética deve entrar no vocabulário escolar e familiar, desde cedo.

O ditado popular “é de pequenino que se torce o pepino” assenta aqui como uma luva. Porque é na infância que se moldam comportamentos, se formam consciências e se criam hábitos que acompanham toda uma vida. Uma criança que aprende hoje a apagar as luzes, a não desperdiçar energia, a valorizar os recursos naturais e a questionar os comportamentos de consumo, torna-se num adulto mais responsável — e, possivelmente, num agente de mudança dentro da própria casa e da comunidade.

Contudo, em Cabo Verde, a eficiência energética ainda está praticamente ausente dos programas escolares. As crianças aprendem a somar, a conjugar verbos e até a desenhar mapas. Mas raramente são convidadas a refletir sobre o que consome energia na sua escola, em casa ou na rua. Não há manuais infantis sobre o tema, nem campanhas nacionais voltadas ao público mais jovem. Poucos professores têm formação nesta área, e raríssimas escolas incluem atividades práticas ligadas à sustentabilidade energética.

O resultado? Perde-se a oportunidade de formar cidadãos mais atentos e críticos, mas também se desperdiça uma das forças mais poderosas da infância: a capacidade de influenciar o comportamento dos adultos. Quem já foi “desmascarado” por um filho a deixar o ar condicionado ligado sem ninguém no quarto, ou a lavar a loiça com água quente num dia de calor, sabe bem o que isso significa.

Investir na educação energética das crianças é, portanto, investir em mudanças duradouras. Seria urgente, por exemplo:

  • Integrar conteúdos sobre eficiência energética nos currículos escolares, de forma adaptada à idade;
  • Criar concursos e jogos pedagógicos que incentivem o uso consciente da energia;
  • Envolver as famílias em desafios de poupança energética liderados pelos próprios alunos;
  • Ligar as aulas de ciências a projetos práticos sobre fontes de energia, consumo e impacto ambiental.

Essas ações não exigem grandes orçamentos, mas sim vontade política, criatividade pedagógica e compromisso institucional.

Num país insular e vulnerável como Cabo Verde, onde os recursos energéticos são limitados e a dependência externa ainda é elevada, formar uma geração mais consciente e preparada é uma medida inteligente e estratégica.

As crianças de hoje serão os decisores de amanhã. Mas antes disso, já podem ser inspiradoras, vigilantes e líderes nas suas próprias casas, escolas e bairros. Basta dar-lhes as ferramentas certas.

Neste Dia Internacional das Crianças, que se celebre mais do que a infância: que se celebre o potencial transformador de educar para um futuro energético mais eficiente e sustentável.

Porque, como bem diz o povo, é de pequenino que se torce o pepino.

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Izauda Monteiro do Canto

Izauda Monteiro do Canto

Mãe, esposa, engenheira e empresária. Especialista em Energias Renováveis e Eficiência Energética, tem uma vasta experiência no setor energético e um forte compromisso com a sustentabilidade. Apaixonada pelo desenvolvimento do setor em Cabo Verde, é também uma entusiasta das questões de género, acredita na importância da participação ativa das mulheres na transição energética e procura incentivar essa inclusão

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