
- PUB
Num tempo em que o planeta enfrenta crises ambientais sem precedentes, educar as crianças para a sustentabilidade deixou de ser uma opção: é uma urgência. E é nesse contexto que a eficiência energética deve entrar no vocabulário escolar e familiar, desde cedo.
O ditado popular “é de pequenino que se torce o pepino” assenta aqui como uma luva. Porque é na infância que se moldam comportamentos, se formam consciências e se criam hábitos que acompanham toda uma vida. Uma criança que aprende hoje a apagar as luzes, a não desperdiçar energia, a valorizar os recursos naturais e a questionar os comportamentos de consumo, torna-se num adulto mais responsável — e, possivelmente, num agente de mudança dentro da própria casa e da comunidade.
Contudo, em Cabo Verde, a eficiência energética ainda está praticamente ausente dos programas escolares. As crianças aprendem a somar, a conjugar verbos e até a desenhar mapas. Mas raramente são convidadas a refletir sobre o que consome energia na sua escola, em casa ou na rua. Não há manuais infantis sobre o tema, nem campanhas nacionais voltadas ao público mais jovem. Poucos professores têm formação nesta área, e raríssimas escolas incluem atividades práticas ligadas à sustentabilidade energética.
O resultado? Perde-se a oportunidade de formar cidadãos mais atentos e críticos, mas também se desperdiça uma das forças mais poderosas da infância: a capacidade de influenciar o comportamento dos adultos. Quem já foi “desmascarado” por um filho a deixar o ar condicionado ligado sem ninguém no quarto, ou a lavar a loiça com água quente num dia de calor, sabe bem o que isso significa.
Investir na educação energética das crianças é, portanto, investir em mudanças duradouras. Seria urgente, por exemplo:
Essas ações não exigem grandes orçamentos, mas sim vontade política, criatividade pedagógica e compromisso institucional.
Num país insular e vulnerável como Cabo Verde, onde os recursos energéticos são limitados e a dependência externa ainda é elevada, formar uma geração mais consciente e preparada é uma medida inteligente e estratégica.
As crianças de hoje serão os decisores de amanhã. Mas antes disso, já podem ser inspiradoras, vigilantes e líderes nas suas próprias casas, escolas e bairros. Basta dar-lhes as ferramentas certas.
Neste Dia Internacional das Crianças, que se celebre mais do que a infância: que se celebre o potencial transformador de educar para um futuro energético mais eficiente e sustentável.
Porque, como bem diz o povo, é de pequenino que se torce o pepino.

Mãe, esposa, engenheira e empresária. Especialista em Energias Renováveis e Eficiência Energética, tem uma vasta experiência no setor energético e um forte compromisso com a sustentabilidade. Apaixonada pelo desenvolvimento do setor em Cabo Verde, é também uma entusiasta das questões de género, acredita na importância da participação ativa das mulheres na transição energética e procura incentivar essa inclusão







Site agregador de notícias e conteúdos próprios e de parceiros, com enfoque em Cabo Verde e na Diáspora, que quer contribuir para uma maior proximidade entre os cabo-verdianos.
+238 357 69 35
geral@balai.cv / comercial@balai.cv / editorial@balai.cv



