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Vivemos numa época em que a democracia parece, ao mesmo tempo, sólida e frágil. Sólida porque temos instituições que funcionam, uma história de estabilidade e uma reputação internacional que poucos países africanos conseguiram conquistar. Frágil porque o afastamento entre cidadãos e decisores cresce, a participação cívica é baixa e o espaço público é cada vez mais dominado por algoritmos que amplificam diferenças e não pontes.
E nós, jovens, muitas vezes crescemos com a sensação de que a política é um palco reservado a poucos, e que a nossa voz só existe no dia do voto. Mas isso não é verdade. Ou, pelo menos, não tem de ser.
Dizem-nos frequentemente que os cabo-verdianos não participam. Que há desinteresse, que falta tempo, que há prioridades mais urgentes. Mas esta explicação é demasiado simples para um problema tão complexo.
A verdade é que a participação cívica exige duas coisas que têm sido escassas:
Quando as pessoas sentem que a sua opinião é acolhida, respeitada e integrada, elas participam. E participam com força. Basta observar as mobilizações comunitárias em tempos de crise, a diáspora que organiza iniciativas sem esperar por instruções ou as pequenas experiências locais de participação que já existem e que transformam bairros, escolas e associações.
Não há nada de genético que nos impeça de participar. O que falta são espaços, processos e uma cultura cívica mais aberta.
Vivemos ligados, mas não conectados. Comunicamos, mas não conversamos. Debatemos, mas raramente nos ouvimos.
E é aqui que a ideia da Kriol Think me inspira profundamente: regressar ao encontro cara a cara, ao debate honesto, à construção coletiva que só acontece quando pessoas diferentes se sentam frente a frente, descobrem o que têm em comum e percebem que o futuro não se faz de bolhas, faz-se de pontes.
O digital é útil, sim. Mas não é suficiente.
O Cabo Verde que queremos não se constrói em comentários de Facebook, mas em salas onde cidadãos olham nos olhos uns dos outros e constroem uma narrativa comum.
A resposta não cabe apenas nos partidos nem no ciclo eleitoral.
Governar Cabo Verde significa:
Governar Cabo Verde é responsabilidade de quem decide, mas também é corresponsabilidade de quem participa.
Num mundo onde o populismo cresce e a desinformação se organiza melhor do que nós, a maior arma que temos é simples e poderosa: participação real, humana, presencial e contínua.
Não encontramos ainda a narrativa coletiva que nos una no futuro.
Mas podemos começar agora, com pequenos encontros, miniutopias, projetos colaborativos, diálogos improváveis e a coragem de dizer que o futuro não está perdido. Apenas está à espera de ser coescrito.
A resposta começa assim:
Cabo Verde será governado por quem tiver a coragem de escutar.
E será transformado por quem tiver a coragem de participar.
A política não é propriedade de ninguém. É construção de todos.
E talvez este debate da Kriol Think seja exatamente o que nos faltava: um lembrete de que o futuro é coletivo, e de que a pergunta “Quem irá governar Cabo Verde?” só faz sentido se vier acompanhada de outra:
E tu, o que estás disposto a construir?

Licenciado em Engenharia de Telecomunicações e Informática e mestrando em Engenharia Informática e de Computadores, especialidade em Cibersegurança e Blockchain/Web3. Paralelamente, com um histórico de liderança associativa, tendo presidido a União dos Estudantes Cabo-Verdianos de Lisboa (UECL) e sendo o fundador do Kriol Think.







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